Carta de uma alma cansada

Ela se magoa fácil, esconde muito bem e perdoa fácil também. Mas não esquece jamais… Ela não te culpa por não ter notado. Talvez nunca tenha deixado transparecer o quanto doía te ver com outra… O que não foram poucas as vezes…  A moça que te escreve, odeia vestir a melhor máscara quando na verdade, só queria conseguir chorar. Chorar e te dizer como se sente.

Ela nao sabe como uma pessoa que todos enxergam como a pessoa mais forte, independente e iluminada, na verdade, é frágil, pequena e preciso de cuidados. Ela aprendeu a se transmutar para que ninguém a olhasse por baixo. Nunca aceitou bem a piedade alheia.

Piedade da pessoa que carrega mágoas desde a infância. Pena daquela garotinha que estava destruída e devastada, que a única coisa que queria, era viver uma outra realidade. Aquela menina, só queria se sentir abraçada e protegida, num lugar onde ela não precisasse segurar o choro por se sentir tão deslocada de si mesma.

Ter máscaras foi algo que a garotinha criou desde pequena… não a culpe, era o melhor que ela podia fazer. A garotinha cresceu e aperfeiçoou essa sua forma de proteção… Só assim ela pode ser: feliz, bonita, confiante, estudiosa, ter muitos amigos. Viveu os anos seguintes simplesmente guardando o passado embaixo do tapete. Mas um dia o tempo resolveu cobrar o preço e, para ela, não dava mais para jogar tudo para baixo do tapete. A sujeira que ela escondeu, já dava para ser sentida na superfície, por aqueles que tinham um pouco mais de atenção ao vê-la.

Dessa vez foi por pouco. Por muito pouco, você quase conseguiu ver minha dor. Não sei se apenas ignorou ou acreditou mesmo quando balancei a cabeça e disse “não é nada”. Mas na verdade, era…

Era a cena que, mais uma vez, iria acontecer, era o sentimento de ter sido deixada de lado, de ter sido trocada outra vez. Era meu passado novamente me cobrando, me fazendo sentir pequena. Me senti novamente a garotinha abandonada, mas agora era você que magoava, era você…

Outra vez me perguntei: “Quantas vezes vou precisar me sentir assim até sair definitivamente da sua vida? Quantas? ” Eu devia ter ido embora naquele momento. Eu deveria ter me dado dois tapas na cara e me mandado dali. Eu deveria te presentear com minha ausência. Se é que você a sentiria. Talvez, só assim, não estaria me sentindo usada neste momento.

Talvez não estaria com choro engasgado na garganta, porque nem isso, sei fazer mais. Desaprendi a chorar… queria ser a forte, a que nada sente, a que nada sofre. Mas seres humanos também precisam chorar, também precisam… ter sentimentos e deixar fluir tudo o que há aqui dentro.

Quando te confessei que gostava do seu abraço, queria dizer “Não quero sair daqui. Aqui, eu sei que estou segura. Não me larga mais, por favor? ”. Mas eu não posso mais me contentar com suas migalhas… eu não posso mais… por mim, eu não posso mais.

Quero reaprender a sentir, sentir de verdade, amar de verdade, sabe? Eu devo a mim mesma o meu caminho de reencontro. Daqui em diante, estou em carreira solo. Vou construir o meu melhor espetáculo longe de você.

 

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