Todo mundo tem bagagem

Poderia ser o mais fácil dos assuntos… o mais batido também… aquele que os cientistas já encontraram a solução. O remedinho, a pílula milagrosa para todo o problema.

 Gostar de alguém deveria ser tarefa simples. E pensando bem, gostar de alguém não é o complicado. Difícil mesmo é deixar a bagagem do passado de lado.  Amar pela primeira vez não pareceu tão dolorido. Vai ver que, não carregar o peso do passado deixava tudo leve.

A questão não está em amar, o desafio está em não deixar esquecer. Cada experiência que se passa, gera um peso com um código de “problema x solução”. Algumas pessoas codificam como “tente outra vez. Quem sabe não era erro de fábrica?” outros como “não presta, não serve, não quero. ERROR no produto”, “corre pras colinas”. Algumas experiências são difíceis mesmo de se deletar. O consciente diz pra seguir em frente, afinal, nem todo mundo é igual. E a gente segue, a gente vive, conhece outras pessoas entra em outros relacionamentos, mas a nossa “bagagem emocional” tá ali guardadinha, grudadinha para onde quer que você vá. Todos temos uma, não é mesmo?!

Lembra… É aquele namoro de anos que acabou em um dia. É aquele casamento idealizado que foi pelo ralo. É aquela paixão tórrida de carnaval, em que trocaram confidências, promessas e telefones, mas não passou da quarta de cinzas. É aquela pessoa que você conheceu na semana passada, sentiu as pernas tremerem, o coração disparar, mas descobriu que era só mais um casinho. É aquele amor de adolescência, que juntos, passaram anos, noivaram e terminaram nas vésperas do grande dia.  É aquele relacionamento que parecia perfeito, mas foi construído em cima de mentiras…

Todo mundo tem bagagem.

Tem gente que finge que ela não existe e vive intensamente os minutos, só pra não ter tempo de pensar. Tem gente que prefere viver a bad, mas vive de forma tão intensa, que por pouco não se afoga nas próprias recordações. Tem gente que ganha apelido de coração de gelo porque se protege demais de quem ousa chegar tão perto.

Como uma corrente amarrada no pé, ela anda por aí a nos acompanhar. Tem gente que não entende…  Não dá para apagar o passado, dá para decidir o que fazer com ele. Dá para abrir a mala, lavar a roupa suja, arrumar a bagunça, tirar o excesso de peso e seguir em frente.

De um jeito ou de outro… Todo mundo tem bagagem.  Não estou aqui, para dizer qual é o jeito certo de se carregar… longe de mim. Mas não há como negar, se estás disposto a recomeçar, também tem que aceitar: não importa o que aconteça, são nossas experiências, são os acontecimentos de nossas vidas e a maneira como os encaramos, que faz ser a pessoa que és.

Talvez leve mais tempo para uns que para outros, não tem o tempo certo. O seu jeito, o seu tempo é o tempo certo.  Porém, tem uma coisa que devemos lembrar… Amar é aprender a levar a própria bagagem, mas também é entender que a mala do outro pode estar ainda um pouco pesada e difícil de carregar. Amar é aprender que vale a pena sim, deixar que cheguem bem perto da nossa bagagem, e aos poucos (ou aos muitos, por que não?) deixar a nossa bagagem ser tocada. Amar é dividir o peso, porque para dois é bem mais fácil carregar.

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